MPF e MPT firmam TAC para fortalecer educação indígena e garantir direitos trabalhistas em Lábrea (AM)

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Acordo prevê regularização de professores, concurso público adaptado às comunidades tradicionais e medidas para assegurar continuidade da educação escolar indígena e ribeirinha no município

O Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público do Trabalho (MPT) firmaram um termo de ajustamento de conduta (TAC) com a Prefeitura de Lábrea, no Amazonas, para garantir melhorias na educação escolar indígena e tradicional no município. O acordo prevê medidas para regularizar a contratação de professores, assegurar direitos trabalhistas e implementar concurso público adaptado às especificidades culturais das comunidades.

Segundo o TAC, a educação escolar indígena em Lábrea enfrenta problemas estruturais ligados à contratação precária de professores e à ausência de políticas permanentes para atendimento das comunidades tradicionais.

O documento aponta que muitos profissionais atuavam com contratos temporários precários, com pagamentos apenas em alguns meses no ano, sem estabilidade e garantia integral de direitos trabalhistas. Para o MPF e o MPT, a situação compromete a continuidade das atividades escolares nas comunidades indígenas, ribeirinhas e extrativistas.

O acordo também destaca que o deslocamento forçado de estudantes para áreas urbanas em busca da continuidade dos estudos vem expondo crianças e adolescentes a situações de vulnerabilidade social.

Medidas previstas

O TAC estabelece que a Prefeitura de Lábrea deverá realizar, até julho de 2026, um processo seletivo simplificado para a contratação imediata de professores e demais profissionais da educação escolar indígena e tradicional.

O acordo também prevê a garantia de pagamento regular de salários durante todo o ano, além da asseguração de direitos trabalhistas, como férias e 13º salário.

Além das medidas emergenciais, o município deverá estruturar um concurso público específico para professores e profissionais da educação escolar indígena e ribeirinha/extrativista, elaborado com a participação direta dos povos indígenas e das comunidades tradicionais.

O TAC prevê ainda medidas para incentivar a participação de indígenas, ribeirinhos e extrativistas no fornecimento de alimentos destinados à alimentação escolar do município.

Para o Procurador do Trabalho do MPT Amazonas e Roraima, Danilo Teixeira, o acordo representa um avanço na valorização dos profissionais e no fortalecimento da educação nas comunidades tradicionais.

“No aspecto trabalhista em sentido amplo, o TAC firmado proporciona maior dignidade aos trabalhadores que prestam serviço na educação escolar indígena e de comunidades tradicionais no Município de Lábrea/AM, buscando a regularização contratual dos trabalhadores e consequente observância dos seus direitos trabalhistas, com vistas à futura realização de concurso público culturalmente adequado, tudo considerando o diálogo com a população interessada e a construção conjunta para atingir esse fim”, afirmou.

Em caso de descumprimento, a Prefeitura de Lábrea poderá ser multada em R$ 1 mil por dia, com destinação dos valores ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos.

 

***Matéria em parceria com ascom MPF Amazonas

***Foto Divulgação/IFAM Lábrea

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